Cristãos fogem de conversão forçada no Iraque.

IRAQUE – Cristãos iraquianos deixaram suas casas durante o fim de semana depois de serem ameaçados de morte por extremistas sunitas armados, caso não se convertessem ao islã em 24 horas.

Seis famílias de Mualimien, nas redonezas de Badgá, distrito de Dora, tiveram que se mudar para uma igreja fora da cidade, segundo uma fonte que está em Bagdá e que pediu para que não se revelasse a localização e a identidade destes cristãos.

Sunitas armados disseram no sábado, 14 de abril, que um emir (príncipe muçulmano ou líder) havia emitido uma ordem contra os cristãos de Dora, baseado na lei islâmica.

Os cristãos foram chamados de infiéis e ameaçados: “Se vocês não se converterem ao Islã ou deixarem suas casas em 24 horas, nós o mataremos”, disseram os muçulmanos, segundo relatou uma fonte local ao Compass, depois de entrar em contato com um membro da igreja que está ajudando esses cristãos desalojados.

A mesma fonte confirmou que no dia 15 de abril o website Iraq Slogger foi o primeiro a informar que os extremistas emitiram uma fatwa (pronunciamento legal do Islã) contendo a ordem do emir. Os folhetos com a fatwa foram distribuídos pela vizinhança.

De acordo com o site árabe Ainkawa.com, os extremistas impediram que os cristãos levassem seus pertences. Um pastor de Bagdá e um padre confirmaram separadamente que os cristãos fugiram do local por causa da fatwa.

“A maioria dos cristãos teve de deixar Mualimien” contou o pastor, que também fugiu da violência no distrito de Dora. Segundo ele, “ninguém foi ferido”, eles “simplesmente se retiraram”.

O pastor contou que muitas famílias foram para o norte do Iraque, no Curdistão. Ele também confirmou os relatos de que militantes extremistas haviam retirado a cruz do teto da igreja batista caldéia de São João, em Dora.

Êxodo de cristãos

O distrito de Dora, localizado ao sul de Bagdá, é o local onde a maioria dos cristãos iraquianos vive. Atentados à bomba contra igrejas foram registrados em agosto, outubro e novembro de 2004, seguidos por uma violência crescente entre grupos muçulmanos extremistas, forças iraquianas e norte-americanas, levaram conseqüentemente ao êxodo de cristãos para localidades vizinhas.

A última baixa ocorreu no seminário caldeu, em Dora, cujas aulas foram postergadas até dezembro depois que diversos padres que lá trabalhavam foram seqüestrados. A instituição foi deslocada para Ainkawa, uma vila cristã fora de Erbil, na região iraquiana do Curdistão.

A vizinhança do distrito de Dora tornou-se um porto para militantes sunitas que freqüentemente entram em choque com o exército norte-americano. Os residentes sunitas reclamam que a polícia iraquiana shiita tem cometido inúmeras atrocidades contra eles.

Nos últimos meses o exército norte-americano aumentou seu contingente de tropas na região de Dora, como parte da presença do presidente dos EUA George W. Bush no Iraque. Um pouco da ordem foi devolvida ao distrito e 100 lojas, dentre um total de 700 na zona comercial, foram reabertas.

No último fim de semana, porém, a ameaça contra cristãos revelou que a paz em Dora ainda está longe de ser alcançada. “Falamos com igrejas ao redor do mundo e lembramos nossos irmãos de orarem por nós da igreja de Bagdá”, disse um pastor de Bagdá ao Compass. “Por favor, orem para que Deus nos dê paz e para que vejamos que Ele está aqui conosco no meio de toda essa violência”, pediu ele.

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