Entrevista: O apagão da fé na EUROPA

Leiam sobre o que está acontecendo ao redor do mundo, e tire as suas conclusões. 

Nos últimos 100 anos, o ateísmo cresceu de 1.7 milhão para 130 milhões de pessoas, na Europa. Por que este continente está distanciando-se de Deus?

O continente que um dia foi luz para o mundo, hoje vive na escuridão da fé, no entanto, deterá para sempre o título de honra: maior propagador do evangelho no mundo, o centro institucional, de onde, por mais de 1000 anos espalhou-se as “boas novas” do Messias. A cada espaço de terra conquistado ou descoberto prosseguia a bandeira do cristianismo. Eram guerras, batalhas sangrentas, bárbaros conflitos em nome de um deus triúno, denominado “igreja-estado-poder”, talvez muito mais temido do que o verdadeiro Deus do cristianismo hoje. Época de fanatismo religioso, de atrocidades em nome de um Deus bondoso. Um paradoxo, até. Como exemplo, a história das sete cruzadas, onde a fé foi manchada de sangue por mais de 200 anos. A luta desenfreada do imperador cristão Constantino que com uma espada na mão e a cruz na outra, aniquilava quem ousasse discordar do cristianismo. O derramamento de sangue de protestantes indefesos, em Paris, século XV, época em que 10.000 inocentes foram massacrados por ‘cristãos’ e seguidores de um manso e humilde Jesus. Nos vales de Piedmont, o cenário de uma das chacinas mais desumanas, local onde sufocaram centenas de mulheres, prensadas dentro de cavernas. Há ainda a história da Inquisição: Segundo o pesquisador Justine Glass cerca de 9 milhões de vidas foram sacrificadas de diferentes formas em apenas um século. Há outras, e outras, e outras.


Assim, estabeleceu-se o cristianismo no mundo, através de uma evangelização imposta por força e violência. Mas com o passar dos anos, o cristianismo, assim como as pessoas, evoluiu. As atrocidades, ao menos da fé cristã, cessaram. A religião cristã tornou-se nobre, dividiu, progrediu, reformou, multiplicou e com o passar das gerações, sucessivamente, uma nova marca de bondade foi lapidada contribuindo para sua boa imagem. Segundo a Enciclopédia Cristã Mundial, até o ano de 2005, do caule desta grande religião cujos galhos são católicos, independentes, protestantes, ortodoxos, anglicanos e marginais, mais de 39 mil tipos de denominações surgiram totalizando no mundo inteiro 2 bilhões e 256 milhões de ‘fiéis’.

Segundo estudiosos foi a adoção dos princípios cristãos que elevou a Europa ao alto estado de civilização e a posição de destaque que ocupa, ainda hoje na sociedade contemporânea. Contudo, as pesquisas mostram que este tempo está no fim. A Europa passa por um processo de secularização extremamente significativo e está excluindo Deus da vida das pessoas. O islamismo cresce sobremaneira e o cristianismo está em declínio. Dr. Russel Shedd, renomado teólogo cristão afirma: “Vai-se viver como se Deus não existisse. Não quer dizer que todo mundo está se tornando ateu. Mas há uma modernização. Há influências como o pensamento de Darwin, entre outros. Isto se dá também, porque as pessoas têm o que desejam: emprego, família bem cuidada, plano médico, quer dizer, não precisam de nada”.

A Europa de John Wesley, C. H. Spurgeon, Martyn Lloyd-Jones, já não existe mais. A evolução do conhecimento e o conforto típico da infra-estrutura de um país de primeiro mundo tem cegado aqueles que ousam dele se aproveitar sem uma base sólida na fé. A maioria dos europeus, atualmente, age como se Deus fosse uma lenda, um ícone mitológico, apenas mais um no panteão de deuses gregos. As igrejas esvaziam-se rapidamente. Muitas fecham suas portas.

Citado em uma reportagem da CBN News, Richard Miniter correspondente do Jornal inglês The London Sunday Times, em Bruxelas, na Bélgica declara: “Quando você diz aos europeus que você vai a igreja no domingo, as pessoas te olham como se você fosse uma peça de museu”. Menos de 5% da população européia vai a igreja, e dentro deste percentual incluem-se os católicos. Apenas 3% do público freqüenta cultos regularmente e destes 3% metade são negros. Apenas 5% da população européia é negra.

Pastor Paul Devos, do Centro Cristão das Assembléias de Deus na Bélgica afirma: “Aqui na Europa, as pessoas não esperam nada da religião. Eles acreditam que para esta vida não há nenhuma esperança a ser encontrada na igreja”. A pregação é feita para uma cultura que não acredita mais na fé do cristianismo. “Na Espanha a religião é opressão cruel, na Escócia ela é um triste pesadelo, em Roma ela é o domínio sacerdotal, enquanto na Inglaterra ela é simplesmente um passatempo emocional”.

O Reverendo americano Alan Baker, líder no mesmo Centro Cristão diz: “Uma coisa que eu sinto muito é um antigo espírito de falta de esperança”. E ele diz mais: “As pessoas me falam que quando descem do avião, chegando à Bélgica, sentem mãos espirituais ao redor de suas gargantas lhes trancando a respiração. Há um espírito muito forte de falta de esperança”.

De acordo com a reportagem “Dark Continent” do jornalista Dale Hurd, em uma pesquisa realizada em 2002 sobre “Esperança para futuro” com americanos, ingleses, franceses e alemães, 61% dos americanos declaram ter esperança para o futuro, 42% dos ingleses, 29% dos franceses e apenas 15% dos alemães.

Frente a esta descrença massiva, Richard Miniter diz: “A perda da fé na Europa é como uma estrela negra invisível que ainda tem uma tremenda força gravitacional. Eles não entendem porque a cultura deles está falindo. Eles não entendem porque os índices de divórcio e suicídio estão tão elevados. Eles não entendem porque tão poucas mulheres européias têm mais do que um filho e porque na maioria das ruas você vê mais cachorros do que crianças. Este é o impacto da morte do cristianismo na Europa”. Ao questionar um britânico sobre quem ele considera uma figura “inspiracional”, apenas 1% deles dirá Jesus Cristo. Até Britney Spears ocupa posição de maior popularidade.

Felizmente, há ainda, pessoas que empenham suas forças e acreditam num possível reavivamento da Europa. Peter Kerridge, Diretor Geral da Premier Rádio no Reino Unido é um deles. Ele diz: “Não importa quantas manchetes saiam dizendo que a igreja está morta. A verdade é: A igreja nunca morrerá. Nós estamos passando por um declínio em algumas áreas, mas enorme crescimento em outras”. Em Londres, por exemplo, igrejas pentecostais cristãs para negros estão explodindo. Nos últimos 5 anos, houve um crescimento de aproximadamente 18% da população cristã, entre as classes minoritárias. Na capital inglesa, um terço de todos os cristãos são negros. Segundo a Enciclopédia Britânica Mundial, em 1900, 81% da população cristã no mundo era branca; este número caiu para 43% em 2005.

O Bispo Joe Aldred, porta-voz da igreja dos negros na Grã-Bretanha e Irlanda enfatiza: “há evidências muito fortes de racismo em todas as denominações, algo que os americanos chamam de “White-fight” ou Luta contra os brancos – assim que os negros ingressam, os brancos pedem a exclusão. Ele continua: “A igreja onde eu era pastor em Birmingham, se você voltar 25 anos atrás vai ver que era uma igreja Batista com sua maioria de cor branca. Hoje 98% de sua membresia é negra.

Uma das esperanças para restabelecer o cristianismo na Inglaterra é através da re-evangelização das minorias étnicas. O trabalho em células é a nova arma que possivelmente será utilizada para atrair novos convertidos. Pastor Devos diz: “Não podemos sair tocando a campainha da casa das pessoas, porta a porta, tentando alcançá-las. Elas não acreditam mais em nós. É necessário se estabelecer um contato pessoal, direto, feito pelos próprios membros”.

A Europa continua sendo o centro cultural e intelectual do mundo, para alguns pode ser uma realidade muito distante, para outros, mais familiarizados com a globalização, algo muito próximo. As idéias da Europa viajam o mundo com um vírus de computador. Fato é que os tentáculos da secularização européia chegarão ao Brasil e invadirão igrejas provocando efeitos semelhantes. Mais cedo ou mais tarde isto acontecerá, é só uma questão de tempo. Por isso, é bom que estejamos com nossos sistemas bem protegidos. Por enquanto estamos no lucro. As pesquisas indicam um crescimento exponencial do cristianismo no Brasil durante os próximos 20 anos. O número previsto chega a casa dos 47 milhões de pessoas até 2025. Nos Estados Unidos serão 43 milhões de novos convertidos. No México, Índia, Filipinas, Rússia, Etiópia e Uganda os índices são muito expressivos, também. Na Nigéria o crescimento chegará aos 72 milhões de pessoas e mais surpreendente ainda, será a Ásia. Estima-se um crescimento naquela região de cerca de 124 milhões de pessoas. Estes países farão parte das 10 grandes nações cristãs no mundo, nos próximos 20 anos, se as probabilidades e estatísticas não falharem.

A Europa esteve no topo das grandes nações cristãs por 19 séculos e hoje tende ao desaparecimento. 20 anos passam muito depressa e o que será da América Latina depois disso?

Ao Brasil, especificamente, um alerta: a medida em que o país evolui sua posição sócio-econômica de subdesenvolvido, para (em desenvolvimento) a fé tende ao esfriamento. O crescimento do evangelho na América Latina é realmente de impressionar, cerca 5.164% nos últimos 100 anos, no entanto, hoje já se faz necessário recorrer à teologia da prosperidade e a outros artifícios de entretenimento para atingir as massas. A conclusão pode ser infeliz, mas se um dia chegarmos ao posto de nação de primeiro mundo, nossos crentes talvez serão lembrados apenas como estrelas que perderam sua luz, mas ainda a emanam ficticiamente.

Oziel Alves: Acadêmico de Letras, Língua e Literatura Inglesa pela PUC-RS, Editor/Colunista do Jornal Rio Grande Gospel, Editor/Controlador Mestre do Canal Universitário e Centro de Produção Multimídia da Faculdade de Comunicação Social da PUC-RS, Tradutor e Membro da Igreja O Brasil Para Cristo de Porto Alegre. ( http://www.ozielfalves.blogspot.com )

Fonte: O Verbo

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